Mostrando postagens com marcador Elsa Villon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Elsa Villon. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Namore homens mais velhos

Sempre Chico Buarque, agora acompanhado de sua dama do cabelo cor de abóbora, 36 anos mais jovem

Não, o título não é uma ordem, uma lei, uma métrica para o sucesso afetivo. É uma preferência da jornalista que vos escreve, permeada tão e somente por seu embasamento empírico. Eu sempre gostei de homens mais velhos. Sempre. Assistia ER - o famoso "Plantão Médico" - e aos 6 anos e era apaixonada pelo Anthony Edwards (o Dr. Mark Greene). Não sei a razão disso, visto que o George Clooney atuava junto, mas o Dr. Mark era meu amor platônico.

O tempo passou (e eu sofri calada) e aos 15 anos de idade, no falecido bate-papo do Blah!, conheci meu primeiro proto-namorado, o Bruno. Ele tinha 23 anos e nos vimos 3 vezes na vida. Percebi logo que os garotos da minha idade e da minha escola principalmente, eram completos imbecis. O Bruno também era, mas ai é outra história. Começou assim o meu histórico de homens mais velhos - que não convém citar, mas contando o Bruno, foram 7 até o momento. Namoros com mais de 4 meses de duração.

A diferença etária foi diminuindo, até chegar em 2 anos e eu percebi que já não estava com a cabeça nos 20 e poucos. E foi ai que eu encontrei o meu então namorado. Na verdade, ele me encontrou, mas eu me esquivei porque achei que a diferença de idade fosse um problema. E é, mas de fácil solução: compreensão.

A diferença superior a uma década é gritante? Só no começo. Demora para se acostumar, mas quando nos acostumamos, eu esqueço. Nem os fios de cabelo branco incomodam. A verdade é que eu adoro ostentar a companhia de um grisalho na rua. Acredito que muita gente, quando nos vê na rua, pensa: "Ele é rico e ela, alcoviteira". E acho engraçado, porque não é nenhuma das opções.

Namorar alguém tão mais velho é ótimo porque ele já viveu relacionamentos anteriores e sabe que algumas coisas são universais. A paciência é uma virtude que compensa e muito. A auto-confiança idem. Sem crises dos quarenta que levaram gerações do sexo masculino a usarem Grecin e comprarem conversíveis. Namorar um homem mais velho é saber que ele tem amigos ao menos alguns anos antes de você nascer. E ele vai sair para beber só com eles, ir viajar e está tudo bem.

Estar com um homem bem mais velho é uma massagem diária ao ego - para você e para ele. Você se sente madura e interessante o bastante para atrair alguém mais experiente. E ele se sente vivo e jovial por estar se relacionando com alguém mais novo. Há sempre um interesse mútuo em conquistar diariamente o homem mais velho. E vice-versa.

O homem mais velho, seguindo uma lógica, já dirige há muito tempo, já bebe há muito tempo, já mora sozinho e se vira nas tarefas domésticas há muito tempo. É aquele cara que vai te fazer um prato maravilhoso à meia-noite quando você for para a casa dele. Sabe escolher drinques, já visitou e viajou para lugares que você ainda não foi e planeja repetir tudo com você.

O homem mais velho - ao menos no meu caso - é um pedaço da década que eu não aproveitei, de músicas que eu não ouvia, de filmes que não vi no cinema, de coisas que eu não vivi. Pedaço vivo e interativo, que me mostra o quão bom é namorar com um homem mais velho.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Geni do Guarujá

Chico Buarque é mais que um músico, letrista ou compositor (e um par de olhos verdes, e aquela voz). Chico Buarque, ao meu ver, é um antropólogo. Desses que conseguem misturar as palavras fáceis às difíceis e nos fazer aumentar o vocabulário. Geralmente falando de política ou de amor. Chico Buarque consegue escrever de maneira feminina tão bem quanto as maiores autoras feministas. Chico Buarque rules.

Chico é filho de acadêmico e manja dos paranauê social e político. Em "Geni e o Zepelim", resumiu todo e qualquer estudo de sociologia das civilizações contemporâneas. A canção do disco "Ópera do Malandro" é de 1978, tempos em que a ditadura açoitava os grandes compositores. E é, sem dúvida, uma das canções mais completas e complexas do baixinho cabeçudo sedutor.

Geni é um travesti promíscuo aos olhos da cidade - um lugar religioso, hipócrita e moralista. Entre rezas e dedos apontados, Geni valia nada. Quem nunca, em qualquer contexto que seja, não se sentiu uma Geni? Joga bosta, feita para apanhar, boa de cuspir. Todos temos um pouco de Geni dentro de nós.

Agora virando a mesa, quem nunca julgou o que o outro merecia? Castigo, vingança, justiça - entre os notíciários, crimes e condenações, somos todos o padre, o prefeito e o bispo. Somos todos o capitão do Zepelim também, opressor, violento - que se lambuzou com a Geni e zarpou.

Mas não estou aqui para falar se a Geni é a oprimida, se a cidade é moralista, se o capitão do Zepelim estava certo. Deixo isso para os acadêmicos, que aliás, entopem estantes de mestrados e doutorados sobre a faixa de Ópera do Malandro.

Em tempos de Sheherazade, a Geni morava no Guarujá. Era casada, mãe de duas filhas, portadora do distúrbio bipolar. A Geni foi linchada, apedrejada, morta. Geni não foi somente oprimida e usada, mas brutalmente assassinada. Foi exposta das maneiras mais vis por tablóides e emissoras. Não teve o privilégio do silêncio da morte com moscas bicheiras pousando em seu corpo esfolado.

A Geni morreu à toa. Morreu por conta de fanáticos - tais como os da música - que não pensaram duas vezes ao enviá-la à desgraça. A Geni não se chama Geni, não era um travesti, não dormiu com o capitão do Zepelim. Ela ofereceu uma fruta a uma criança e condenada por isso. Apedrejada como na Idade Média, como no Oriente Médio, como a Geni de Chico era todos os dias. A Geni era Fabiane Maria de Jesus.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Casar é bom, mas morrer queimado é melhor

"A Noiva do Frankstein", filme de 1931 que resume minha visão do matrimônio

Antes de mais nada, eu não concordo com tal afirmação, mas acho engraçada a maneira tragicômica com a qual as pessoas - homens em maioria - descrevem o casamento. Já ouvi tal sentença de diversos deles. O último, o meu futuro sogro, no sábado.

A bem da verdade, acho que mesmo os que disseram isso, não acreditam. Pelo simples fato de não terem morrido queimados. Então pertence àquela gama de hipérboles cínicas que os casados (e as casadas), vez ou outra gostam de mencionar.

O tal do casamento, que desperta pavor na ala masculina e uma necessidade na ala feminina, atualmente, é uma questão a ser pensada. O que é casar? Sim, nós sabemos o que é casar. Festa, bolo, despedida de solteiro, chá de panela, vestido, anel e muito, mas muito tule. A questão aqui é maior: o que de fato é casar?

Essa ideia de se unir a alguém para ser feliz até que a morte (ou o divórcio) nos separe é um pouco aterrorizante. Jurar aos pés do onipotente em preces comoventes ser fiel, amar, respeitar, honrar - me parece um voto perpétuo que a maioria não está pronta para assumir.

Por exemplo, mesmo quase chegando na tão temida idade balzaquiana, tenho plena convicção de que não quero me casar tão cedo. O meu tão cedo envolve ao menos os próximos 4 anos. Estou vendo as amigas casando, tendo filhos e eu, aqui, na ânsia de fazer um mochilão.

Até porque, casar é caro. Muito caro. E eu sou prática - o dinheiro de uma festa de casamento, ainda que pequena, dá para  fazer muitas coisas. Obviamente, para alguém que cresceu sob os pilares do matrimônio como ideal afetivo de vida, esse é o dia mais importante (até ao menos a chegada do filho). Porém, não foi o meu caso.

Sem traumas, até porque, meus pais vivem um casamento longo e, a despeito de qualquer briga, feliz. Não se desgrudam, um não vive sem o outro. Há 26 anos. Completaram Bodas de Prata ano passado e cada, grudam mais. Não sei se é exatamente o modelo de união que desejo para mim, mas com certeza, me inspira.

Tudo isso, para dizer que eu não quero me casar. Isso pode mudar, mas eu não quero me casar. Não desse jeito que falam. Posso me unir ao meu futuro marido com um churrasco na laje, regado a cerveja, com todos os padrinhos de chinelo. Com uma piscina inflável cheia de gelo, bolovos e torresmos. Sem a necessidade de um presente que vá mobiliar minha casa. Sem a agonia patológica de ser a mulher mais linda da festa.

Se casar é isso que andam dizendo e fazendo, morrer queimado realmente deve ser melhor. Mas não estou afim de descobrir isso não. Nem o casamento, nem a morte.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Interiorana

Tenho pena de você
Que não gosta do ABC
E só sai pela CAPITAL
Pagando caro para respirar mal

Tenho pena de você
Que critica o ABC
Saiba pois que a zona sul
É pertinho, que nem a Cupecê

Tenho pena de você
Que nunca veio para o ABC
Acha que o Frangó tem a melhor coxinha paulista
Mas que não entende que é um lugar elitista

Tenho pena de você
Que nem quer conhecer o ABC
A maior pista de skate da América Latina
A melhor coxinha barata no bar do China

Só lamento por você
Que nada sabe do ABC

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

De Malu a Mulan

A cena mais linda de Mulan: quando corta o cabelo e vai para a guerra, salvando seu pai, o Imperador e China 


Li há tempos um texto que falava sobre o poder da mulher de cabelo curto. Acho que foi no Papo de Homem, mas não tenho certeza, só achei curioso entre as banalidades do Facebook e parei para ler. Achei incrível e pensei comigo: "Vou cortar o meu cabelo bem curto".

Afirmação essa que eu carrego há cerca de 5 anos. Sempre digo que vou cortar o meu cabelo bem curto, até cogito raspar. Mas sempre me falta a coragem para fazê-lo. É só cabelo, eu sei. Ele cresce (o meu bem rápido ainda por cima). Mas ainda não consegui cortar curto. Tal comportamento pode ser chamado de Síndrome de Malu Mader. Ao que consta, parece que Dona Malu tem problemas em cortar o cabelo. Assim como eu e grande parte da população.

Eu não quero viver uma vida presa ao meu cabelo. Soube hoje, por meio de um amigo, que o Graacc recebe doações de cabelo. A ação é para ajudar crianças com câncer infantil, muitas delas carecas por conta do tratamento. Não vou à Guerra enfrentar hunos no lugar do meu pai como a Mulan foi, mas cortarei as madeixas pra ajudar alguém.

Quem já perdeu alguém para o câncer sabe o quanto essa doença é maligna. Não somente o paciente, mas todos acabam adoecendo. Eu já perdi um amigo para o câncer. O vi careca, sem sobrancelhas, magro e amarelado. O que eu nunca vi foi ele reclamando de algo - mesmo com toda a dor que sentia.

Por isso, além de curar minha Síndrome, irei ajudar alguém. Quero que o meu cabelo - que tanto me irrita em ralos, pias e escovas - sirva para trazer um pouco de alegria a uma criança. Porque ninguém deveria sofrer com isso, tão pouco uma criança.

Para saber mais sobre o Graacc e suas ações, é só ir no site. Descobri também A Rapunzel Solidária, que tem a mesma proposta e ainda por cima, convênio com salões de cabeleireiros. Fica a dica Malu!

Nota: meu amigo Guilherme não morreu em vão. Seu pai, Wiliam Miguel criou um Instituto que ajuda pessoas com câncer também. O que prova que a luta dele permanece. Para saber mais, confira no Instituto Força Gui.

Confira o vídeo da Mulan Contemporânea:

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Feliz aniversário Colin!


A sinceridade das crianças é realmente algo notável, certo? Sim, em filmes, seriados e vídeos do youtube de ate 3 minutos. Mas na prática, crianças e adolescentes podem ser cruéis. O caso aqui não e nenhum atentado motivado pelo bulliyng que vitimou dezenas em algum colégio secundário. Ao contrário: foi uma das maneiras mais doces e gentis que uma mãe arranjou para desejar um feliz aniversário ao filho.

Às vésperas de completar 11 anos, Colin respondeu aos pais que não queria festa de aniversário porque não tinha amigos para chamar. A mãe dele teve então a brilhante ideia de criar uma página no Facebook desejando votos ao filho. Tudo bem até ai.

O que Colin e sua mãe, Jennifer, não esperavam é que essa página renderia alguns amigos. Quase dois milhões deles, do mundo todo, enviando cartas, videos, votos de sucesso e presentes. Colin foi diagnosticado há um ano com transtorno de processamento sensorial, junto com um outro transtorno semelhante ao autismo. Isso também interfere no processo de interação com crianças da mesma idade.

Acredito que esse será um aniversário memorável para Colin e sua família. E pretendo deixar um recado para esse sensato garoto, que evidencia que o maior transtorno humano é a falta de humanidade. Feliz aniversário Colin!

Abaixo, vídeo da Alpha Xi Delta (Fraternidade da Universidade de Indiana) desejando um aniversário incrível para o guri:




 Via Hypeness.