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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Amor de Chuteiras

Você é meu amor platônico, porque eu te vejo pela TV, na ponta da arquibancada, onde você estiver. 

Eu te acompanho, todos os dias, mas não dou escândalo. Eu sempre estive lá, junto de você, na saída de aeroporto, por onde cruzaram seus passos. 
Roubei, inclusive, aquelas chuteiras que por descuido você deixou penduradas no alambrado. Roubei todo o suvenir seu que pude ter. Mas que é isso pra você, que, na breguice da frase, roubou meu coração?

E eu sempre estarei lá. E não me importa que você não saiba. Pois gosto de ser anônima, de saber que você nunca vai me desprezar, vai me corresponder, sempre e sempre. Afinal, gosto de te amar assim, nesse amor meu, para que seu gol seja pra mim, para que sua voz diga meu nome, para que assim sejamos, você e eu, campões.  

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Reticências...

Meu amor, ela escreveu, acho que não gosto de você, gosto do que a gente tem. Colocou um ponto final, e depois outro e outro. Reticências.
Assim se encerrava o e-mail, que prefiro chamar de carta, pois trás um charme que e-mails não tem.
Ela não queria contato visual, e preferiu a distância da pena, cujo mata borrão não escondeu a tensão de suas palavras.
Meu amor, ela iniciou, será mesmo que te amo ou que estaremos assim, desgastados e perdidos, ainda que sucumbidos nesse desejo sedento que nos toca e desfalece?
Que haveria de oculto sob tamanha erudição?
Que olhos teria ela quando me visse com um buque de rosas vermelhas prestes a serem entregues? Que diria ela sobre meu amor sereno que parece não tocá-la, sobre a voz tranquila que parece apenas atingí-la quando nossos corpos se encontram?

De repente acordo. Somos eu e ela, um de fronte para o outro, no café, sob a luz florescente e econômica de padaria. Ela completa em voz serena. Meu amor, acho que não amo você, amo o que a gente tem. E pontuou correto e firme,  uma única vez. Era ponto final, era borrão, vadia...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Namore homens mais velhos

Sempre Chico Buarque, agora acompanhado de sua dama do cabelo cor de abóbora, 36 anos mais jovem

Não, o título não é uma ordem, uma lei, uma métrica para o sucesso afetivo. É uma preferência da jornalista que vos escreve, permeada tão e somente por seu embasamento empírico. Eu sempre gostei de homens mais velhos. Sempre. Assistia ER - o famoso "Plantão Médico" - e aos 6 anos e era apaixonada pelo Anthony Edwards (o Dr. Mark Greene). Não sei a razão disso, visto que o George Clooney atuava junto, mas o Dr. Mark era meu amor platônico.

O tempo passou (e eu sofri calada) e aos 15 anos de idade, no falecido bate-papo do Blah!, conheci meu primeiro proto-namorado, o Bruno. Ele tinha 23 anos e nos vimos 3 vezes na vida. Percebi logo que os garotos da minha idade e da minha escola principalmente, eram completos imbecis. O Bruno também era, mas ai é outra história. Começou assim o meu histórico de homens mais velhos - que não convém citar, mas contando o Bruno, foram 7 até o momento. Namoros com mais de 4 meses de duração.

A diferença etária foi diminuindo, até chegar em 2 anos e eu percebi que já não estava com a cabeça nos 20 e poucos. E foi ai que eu encontrei o meu então namorado. Na verdade, ele me encontrou, mas eu me esquivei porque achei que a diferença de idade fosse um problema. E é, mas de fácil solução: compreensão.

A diferença superior a uma década é gritante? Só no começo. Demora para se acostumar, mas quando nos acostumamos, eu esqueço. Nem os fios de cabelo branco incomodam. A verdade é que eu adoro ostentar a companhia de um grisalho na rua. Acredito que muita gente, quando nos vê na rua, pensa: "Ele é rico e ela, alcoviteira". E acho engraçado, porque não é nenhuma das opções.

Namorar alguém tão mais velho é ótimo porque ele já viveu relacionamentos anteriores e sabe que algumas coisas são universais. A paciência é uma virtude que compensa e muito. A auto-confiança idem. Sem crises dos quarenta que levaram gerações do sexo masculino a usarem Grecin e comprarem conversíveis. Namorar um homem mais velho é saber que ele tem amigos ao menos alguns anos antes de você nascer. E ele vai sair para beber só com eles, ir viajar e está tudo bem.

Estar com um homem bem mais velho é uma massagem diária ao ego - para você e para ele. Você se sente madura e interessante o bastante para atrair alguém mais experiente. E ele se sente vivo e jovial por estar se relacionando com alguém mais novo. Há sempre um interesse mútuo em conquistar diariamente o homem mais velho. E vice-versa.

O homem mais velho, seguindo uma lógica, já dirige há muito tempo, já bebe há muito tempo, já mora sozinho e se vira nas tarefas domésticas há muito tempo. É aquele cara que vai te fazer um prato maravilhoso à meia-noite quando você for para a casa dele. Sabe escolher drinques, já visitou e viajou para lugares que você ainda não foi e planeja repetir tudo com você.

O homem mais velho - ao menos no meu caso - é um pedaço da década que eu não aproveitei, de músicas que eu não ouvia, de filmes que não vi no cinema, de coisas que eu não vivi. Pedaço vivo e interativo, que me mostra o quão bom é namorar com um homem mais velho.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Rumos

Cansei - Ela me disse me olhando firme. - Cansei!
Fiquei assustado, e pus rapidamente as sacolas de compras recém tiradas do porta malas sobre a mesa.
- Cansou de que amor? Que houve? - Ela me olhou indignada, do jeito corriqueiro que fazem as mulheres quando querem que adivinhemos seus pensamentos. 
- Não acredito que você está me perguntando isso!
- Vem cá, me diz o que houve - Tentei puxá-la com leveza pelo braço, pois tratá-la com carinho costumava funcionar nessas horas. 
- Não encosta em mim! - Era grave, percebi no ato. Talvez uma frase de impacto fosse melhor. Tentei. 
- Amor, pelo menos me explica, desabafa comigo. - Eu disse. Ela me encarou, como não costumava fazer. 
- Você quer saber? Quer mesmo saber?! - Fiz que sim com a cabeça, temendo pela resposta.
- Cansei de viver a vida do dia-a-dia, de não jantar em lugares paradisíacos, de não ter você por perto quando mais preciso, de trabalhar da aurora ao crespúsculo, de não gozar toda a vez que faço sexo, de não conhecer o mundo, de não ser quem eu gostaria! Cansei! - Surtou. Pensei. Devia ser a tal da TPM, mas nunca tinha acontecido dessa forma. Fiquei atônito. 
- E você? Não vai falar nada? - Balbucieu dois ou três inícios de frase, mas não saiu nada.
- Sabe por que você não vai falar nada? - Apenas esperei a resposta - Porque você não sabe nada a meu respeito! Você não sabe como eu me sinto, ainda não aprendeu o que me dá tesão e o pior, você sabe de tudo isso e finge que nada existe!
Olha pra você também, pro seu emprego que te explora e te faz fingir que você é feliz. Olha pra gente que finge que é feliz! - Ela estava séria e tudo aquilo fez um turbilhão na minha cabeça. Mas respirei fundo, tentando ser racional.
- E o que você acha que a gente pode fazer? - Foi ela quem respirou dessa vez. Jogou-se no sofá confortável, mas de classe média e me olhou daquele jeito que as mulheres nos olham quando querem nos desafiar.
- Fugir?
- Pra onde? - Ela me sorriu. Sabia minha resposta antes da pergunta. 
- Vem comigo? - Sentei-me ao seu lado no sofá, procurando as melhores palavras. Ela permitiu que eu a deixasse encostar a cabeça em meu ombro. 
- Vem? - Ela insistiu. Beijei sua testa e acomodei-a melhor em meus braços. 
Sem dizermos o que não havia para ser dito, dormimos no sofá desajeitados. Quando acordei percebi que não era TPM, não era surto, mas uma decisão tomada há tempos enquanto eu fingia que nada existia, que não sabia. 
Fugira, sem bilhetes, sem dramas, sem olhar pra trás, apenas porque precisava respirar outros ares e talvez se dar a chance de voltar. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Notas sobre filmes e sexo

A primeira vez normalmente não é tão boa quanto esperávamos.
A gente só melhora mesmo com a prática, mas teoria é sempre bom pra encorpar e inovar a experiência.
As sensações podem ser as mais distintas possíveis, de êxtase ao asco.
Mas, principalmente, feito com tesão e amor é muito mais gostoso.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Nosso amor de pijamas

A última vez que te vi, veja só, você não estava de pijamas, nem de terno, mas numa camiseta larga e calça jeans. Eu te encontrei por acaso, fumando um cigarro num momento contemplativo.
Conversamos vagamente, e nos despedimos sem cerimônias.
E pensar que eu te amava tanto, e agora mas sei por onde você anda.
A minha vida, como a sua, seguiu; novos anos se passaram, nossas experiências se entrecruzaram pouco, nossos amigos em comum se desfizeram, aos poucos eu nem sei por onde anda seu rastro.

Contudo, aquele cigarro que você fumava me fez ter vontade de voltar a fumar, só pra te beijar de novo. Mas achei aquilo uma bobagem.
Quando lhe beijei o rosto pra dizer tchau, queria ter te beijado na boca, pra poder quem sabe sentir aquele amor que um dia senti.

Só que a verdade é que você não tem mais espaço pra mim, e talvez eu não tenha espaço pra quem você é hoje. Porque nossa amor se esvaiu como a fumaça do cigarro, indo embora contemplativa na direção oposta do vento.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Joga-te #10


do abismo, da montanha, de onde a ponta dos teus pés puder pular.
Joga-te porque viver o amanhã não interessa mais. 
Afinal, talvez amanhã eu chore, ou sorria, ou viva, ou morra, que mais? Apenas jogua-te e não me deixa saber como, quando ou porquê.
É medo? Então diz, feridas ou marcas, quem pode viver sem elas? Diz, porque talvez eu deva lhe dizer que o que senti um dia não sinto mais, o que sinto agora nunca senti.
Por isso, fecha os olhos e não escuta a ninguém, nem a mim, nem a ti. Caminha reto, respira fundo e pula! Pula o mais alto que a ponta dos teus pés puder alcançar!
Joga-te, deixa que o vento te leva e que a vida corra por nós. Afinal, se cairmos cada um para o lado talvez apenas eu desabe enquanto tu choras. Que importa? Afinal, tudo que se quebra se conserta, dá-se um jeito.
Deixa ir, abstrai; quem não se fere não vive e enquanto o tempo cura, juntam-se os cacos, levanta-se e vai.
Por isso não pensa, não olha pra baixo. Venha, mê dá a mão e pula comigo. 
Afinal, o futuro é tão incerto, talvez nem precise ser assim. Quem sabe o céu esteja limpo e a gente voe, pouse e siga por um caminho tranquilo e, mesmo oposto, incapaz de nos deixar mais que apenas lembranças.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Desamores #9

Hoje percebi que não estou apaixonado, que tua falta não me é buraco, que distante me sinto apenas carente, e por isso te procuro.
Não há frustração maior do que olhar os teus belos olhos e perceber que meu sentimento é vazio, que teu corpo me preenche mas não me aquece, que tua voz me é rouca e dispersa.
Mas ando, veja, tão desapaixonado que pulo daqui acolá procurando uma paixão que me cerque e me desarme.
Por isso quando te olho, menina, quero pensar que amanhã teus olhos serão mais verdes que são hoje. Quando te encontro, guria, quero pensar que te amo, como sinto que me amas. Quero pensar que te quero, que te caso, que te vivo, que não te frustro.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Casar é bom, mas morrer queimado é melhor

"A Noiva do Frankstein", filme de 1931 que resume minha visão do matrimônio

Antes de mais nada, eu não concordo com tal afirmação, mas acho engraçada a maneira tragicômica com a qual as pessoas - homens em maioria - descrevem o casamento. Já ouvi tal sentença de diversos deles. O último, o meu futuro sogro, no sábado.

A bem da verdade, acho que mesmo os que disseram isso, não acreditam. Pelo simples fato de não terem morrido queimados. Então pertence àquela gama de hipérboles cínicas que os casados (e as casadas), vez ou outra gostam de mencionar.

O tal do casamento, que desperta pavor na ala masculina e uma necessidade na ala feminina, atualmente, é uma questão a ser pensada. O que é casar? Sim, nós sabemos o que é casar. Festa, bolo, despedida de solteiro, chá de panela, vestido, anel e muito, mas muito tule. A questão aqui é maior: o que de fato é casar?

Essa ideia de se unir a alguém para ser feliz até que a morte (ou o divórcio) nos separe é um pouco aterrorizante. Jurar aos pés do onipotente em preces comoventes ser fiel, amar, respeitar, honrar - me parece um voto perpétuo que a maioria não está pronta para assumir.

Por exemplo, mesmo quase chegando na tão temida idade balzaquiana, tenho plena convicção de que não quero me casar tão cedo. O meu tão cedo envolve ao menos os próximos 4 anos. Estou vendo as amigas casando, tendo filhos e eu, aqui, na ânsia de fazer um mochilão.

Até porque, casar é caro. Muito caro. E eu sou prática - o dinheiro de uma festa de casamento, ainda que pequena, dá para  fazer muitas coisas. Obviamente, para alguém que cresceu sob os pilares do matrimônio como ideal afetivo de vida, esse é o dia mais importante (até ao menos a chegada do filho). Porém, não foi o meu caso.

Sem traumas, até porque, meus pais vivem um casamento longo e, a despeito de qualquer briga, feliz. Não se desgrudam, um não vive sem o outro. Há 26 anos. Completaram Bodas de Prata ano passado e cada, grudam mais. Não sei se é exatamente o modelo de união que desejo para mim, mas com certeza, me inspira.

Tudo isso, para dizer que eu não quero me casar. Isso pode mudar, mas eu não quero me casar. Não desse jeito que falam. Posso me unir ao meu futuro marido com um churrasco na laje, regado a cerveja, com todos os padrinhos de chinelo. Com uma piscina inflável cheia de gelo, bolovos e torresmos. Sem a necessidade de um presente que vá mobiliar minha casa. Sem a agonia patológica de ser a mulher mais linda da festa.

Se casar é isso que andam dizendo e fazendo, morrer queimado realmente deve ser melhor. Mas não estou afim de descobrir isso não. Nem o casamento, nem a morte.


quarta-feira, 26 de março de 2014

A incrível arte do ósculo

Cena de "Elizabethtown", um dos melhores filmes do Orlando Bloom sem ser um épico. 

Nas últimas semanas, o vídeo de "estranhos que não se conheciam se beijam em vídeo feito por diretora" comoveu e emocionou muitos. Como todo bom viral publicitário, as pessoas foram atingidas em seu ponto mais fraco: a sensibilidade do primeiro beijo.

Em suma, o primeiro beijo costuma ser um momento marcante. E não digo somente o primeiro beijo (famoso ranca BV), mas também o primeiro beijo que damos em uma pessoa. Segundo estudo realizado na Universidade de Oxford, por Rafael Wlodarski e Robin Dunbar, o primeiro beijo é a principal ferramente de avaliação subconsciente que determina a duração do relacionamento.

Ou seja: é no momento de oscular que medimos a afeição e a famosa química da pessoa beijada. O momento do beijo envolve 4 dos 5 sentidos humanos: audição (famosa pelos sussurros que precedem o beijo); o tato (mãos, troncos, bocas, lábios e línguas); olfato (o cheiro - atraente ou não às narinas) e finalmente, o paladar. Embora haja uma parcela de pessoas que não feche os olhos, anulando assim o quinto sentido durante o ato, a maioria beija de olhos fechados, o que torna o beijo a primeira grande experiência sensorial íntima com outra pessoa.

Eu acredito - e essa sou eu, pessoa física, sem phD em nada ou estudo formal - que a partir do momento que duas pessoas se beijam, elas nunca mais terão a mesma relação. Isso não é bom ou ruim, apenas diferente. Para mim, o ósculo é uma intimidade muito grande que interfere sim na maneira como lidamos com o outro.

Como exemplo, cito um clássico da TV aberta: "Uma Linda Mulher". A história água com açúcar é bem popular - empresário rico conhece garota de programa na rua, se encanta, paga milhares de dólares para usufruir de sua companhia e a moça vive em uma realidade que não conhecia. Minha cena favorita não é que ela volta na loja que foi esnobada e escracha as vendedoras (embora seja muito boa). A cena que o Zé Mayer gringo, a.k.a Richard Gere pergunta o que ela faz e a resposta de Julia Roberts é simplesmente sensacional: só não beijo na boca. Em outra referência cinematográfica, temos "Elizabethtown", na qual Claire (Kirsten Dunst), após ser beijada por Drew (Orlando Bloom), diz que aquele beijo tinha sido mais pessoal de que muitas de suas transas.

Acho que essa é a mística do beijo: ele é o contato mais íntimo que temos com alguém (em público - a menos que você seja uma dessas pessoas tipo a Madonna que curte sexo em locais públicos). E a campanha publicitária que comoveu a todos, comoveu justamente por isso. A Vice fez isso de verdade e eu achei tão poético quanto. Deixo para cada um decidir por si só.

O primeiro vídeo (fake):



O vídeo da Vice (real):

sexta-feira, 21 de março de 2014

#5 Tou te esperando....



sentado, de pé, onde pudermos nos encontrar. Te espero sempre que o celular toca, que as mensagens vem e vão. Mas peço, contudo, que  não espere de mim o mesmo afeto, as mesmas expectativas. Te espero quando quero, te ligo quando posso, te torno amarga e amena. Apenas porque eu sou assim, um tolo desesperado a procura de alguém que me queira como eu não quero, e que me espere como te espero.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Confissões de Mulher #4


Eu e você somos duas que corremos lá e cá, afastadas do mundo que idealizamos. Somos assim, descalças e sorridentes, atadas numa convivência diária que nos desloca.

Difícil talvez perceber que em nosso mundo não cabemos e quanto mais perto estivermos mais difíceis serão os encontros.
A verdade é que temos caminhos, peças e partes, e nos encontramos somente quando estamos nuas, despidas do pudor e da decência que nos foi imposta.
Difícil também perceber que somos limpas e livres, que os olhos dos outros não nos enxergam, que nossos momentos não pertencem a nada.
Afinal, você e eu só nos olhamos para nos dar bom dia e ninguém nunca nos viu brutas, sujas e sorridentes, assim como gostamos de estar quando ninguém nos vê.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Desamores #3

Hoje percebi que não estou apaixonado, que tua falta não me é buraco, que distante me sinto apenas carente, e por isso te procuro.

 Não há frustração maior do que olhar os teus belos olhos e perceber que meu sentimento é vazio, que teu corpo me preenche mas não me aquece, que tua voz me é rouca e dispersa.

  Mas ando, veja, tão desapaixonado que pulo daqui acolá procurando uma paixão que me cerque e me desarme.
 Por isso quando te olho, menina, quero pensar que amanhã teus olhos serão mais verdes que são hoje. Quando te encontro, guria, quero pensar que te amo, como sinto que me amas. 
Quero pensar que te quero, que te caso, que te vivo, que não te frustro.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sabores #2


















Um gole de cerveja, de vinho, de Whisky, de coragem.
João, Alberto, Pedro, Paulo, Marcelo, quem mais? Quantos mais? Por quantas noites?
Um gole de tesão, uma pílula de antídoto, um trago de orgasmo. Quantos seriam precisos, quantos rostos precisaria reconhecer, quantas bocas, falos, fossas?
Pequeno não satisfaz, grande machuca, médio, forte, fraco, ameno amargo, doce.
Um gole de noite para tomar coragem de dia, um sono fatigado para justificar a preguiça, uma noite em claro para arrepender-se do incerto.


Maria, Marta, Ana, Clara, Silvia. Quantas mais? Quantos esconderijos mais? Quantos disfarces mais?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Primeira Vez #1

Te vejo arqueada, perceba, e te observo como quem olha o olhar alheio. Te tenho vontade e te engulo, estática, enquanto desfrutas daquele martini seco.


Foi assim que te conquistei, te pondo mais bebida no copo e te tecendo, aquecendo pelos seios abaixo. E com esta mesma ternura, te traí, sem a menor compostura descabida.
Não doeu, nem sequer fez cócegas, foi o que senti quando a tinha, a outra, sob minhas mãos geladas e sedentas. Eu a peguei no colo, a arrastei na noite, e juntos fomos capazes daquilo quem em 5 anos nunca tivemos, eu e tu.


E te traí te amando, como nunca amei alguém. Mas o desejo, a carne, a vontade, nada disso pode esperar por mais tempo. Por isso, quando ela me consumiu com gosto, queria te tivesse ali tu. Quando ela me engoliu, me despiu, se abriu, queria que tivesse sido contigo, conosco.
Mas não foi, porque tu te viras e te dormes, porque me dizes que tens nojo, porque em ti dói e nela não.
E assim, deste jeito tolo e inconseqüente lhe ofereci um drinque, e ela tomou. Lhe apertei os seios, e ela topou, lhe cobri de beijos e ela gemeu.

Mas entenda, que queria vê-la assim, tu, arqueada em meus braços, minha. Mas não me deixas. E sob este corpo de carrasco, capanga nefasto, te escondo e te digo, que foi assim, a primeira vez dentre muitas das vezes que te traí.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O amor é outra coisa



























"A vida é uma DST." Li essa frase no twitter de uma amiga certo dia, que a viu estampada na camiseta de um conhecido. Achei brilhante. Lembrei finalmente de onde a conhecia: "Natimorto", do Lourenço Mutarelli.

Perdida em uma dessas noites de insônia, na ânsia inútil de procurar um pé para entrelaçar os meus enquanto durmo, pensei: "Será também o amor uma DST?". E respondi minha própria dúvida com a confirmação. O amor é sim uma DST. Parto do princípio de que só começamos a amar de verdade uma pessoa a partir do momento que nos relacionamos sexualmente com ela.

O sexo gera o amor, não o contrário, como nos foi afirmado por séculos. Estejam à vontade para discordar e/ ou discorrer sobre, mas mantenho minha linha de raciocínio. O amor aqui tratado é aquele que difere aos laços familiares e de amizade, que fique claro. Amor de mãe, pai, avós, irmãos, tios etc é fundamentado em outros princípios que não competem à atração física mútua. Longe de mim (e bem longe por sinal) provocar polêmica com uma possível legitimação do incesto.

O amor rudimentar, aquele que une semelhantes da mesma espécie (não necessariamente de gêneros diferentes, pois faço questão de legitimar o amor homo afetivo) surge sim do ato da cópula. Embora muitos possam (e vão) argumentar que só se envolveram sexualmente em determinados relacionamentos porque amavam, refuto novamente e reafirmo que só amamos alguém após a troca de fluídos sexuais e ponto. Até lá, só achamos que é amor.

E não é difícil entender porque muitas pessoas pensam o contrário do que acabei de constatar. Além das crenças milenares, as áreas cerebrais e os hormônios que diferem o amor da paixão, fascínio, desejo, são similares. E isso não sou eu que estou afirmando, mas a ciência. Portanto, até que o sexo se consume, o que chamamos de amor é na verdade outra coisa. Afeição, similaridade, compatibilidade - chame do que quiser, menos de amor.

Porque é no sexo que conhecemos ao outro integralmente: o gosto, o cheiro, o tato, o som. Tudo isso completando e contemplando o nosso e o corpo alheio. O que não quer dizer que vamos amar cada um com o qual transamos. Fatores simples e novamente hormonais, curiosidade, vontade e muitas outras coisas vão nos motivar à cópula sem resultar na mística, porém química que é o amor.

Tudo isso é tão justificável que até as estatíscas apontam: por mais afinidade que um casal tenha, casamentos acabam todos os dias porque os tempos de "bom sexo" se foram, e o amor junto com eles. E provam o contrário: amantes que vivem às turras mas se aguentam, pois afirmam que "entre quatro paredes eles se resolvem".

Por todo o citado afirmo que amor, só depois do sexo e que é sim uma DST (para a qual espero que não achem a cura). Sexo sozinho é egoísta, é filho único mimado ou caçula que quer as coisas no seu tempo e do seu jeito. Que só usa, sem querer ou achar que também é usado. Aquele que faz "chantagem pós-coito", almejando dormir de conchinha mesmo em um calor cuiabano. Ou aquele que só deseja que o seu "item sexual" suma o quanto antes, ou se transforme numa pizza.

O amor (legítimo, pós ou até durante o sexo) não exige nada disso. Ele se rende ao prazer do outro corpo como fonte de seu próprio prazer. Sabe o que pode, o que quer e mais ainda: aonde quer. Não exige abraço ou conchinha quando acaba, mas também não repele. Entende quem cala, entende quem fala, entende quem dorme. E sorri exausto, mas feliz e seguro de que esses momentos bons tem uma fonte inesgotável, apesar de tudo que digam.

Tal como o apêndice é um órgão de fácil inflamação e remoção, o sexo (e o amor, por consequência) é o oposto - é um órgão que nos falta e buscamos incessantemente em outros corpos. Alguns transplantes ocorrem bem, outros resultam em rejeição. Mas sempre haverá gente na fila de espera esperando pelo órgão compatível.



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Texto publicado originalmente em Villon Submarine, em 14/03/2012.