Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de maio de 2014

Tempo de Mulher


Com o tempo a gente se perde, esquece que chorar faz bem, que a vida se vive por um fio, que não adianta bater a todo o momento de frente com o mundo.
O tempo nos descasca, descama, desima, desarma, desmonta, desmancha.
Mas que tempo não cura, diga você?
Afinal, que te fez levantar da cama com essa cara de ontem e não lavar bem os olhos?


Que mal te fez guardar essa ramela ao redor das suas olheiras e infiar-se nesse uniforme pra ir estudar?
Com o tempo a gente se ajusta. Passa delineador, descobre o batom vermelho, descobre também que tem que trabalhar.


Descobre porque nasce já no mundo do trabalho, percebe que é só o trabalho quem nos trás independência.
Mas em tempo eu digo. Independência é felicidade? Não importa. Afinal, independência é escolha, é livre arbítrio, é a saborosa dor de escolher.


Se viemos da costela de adão, da macaca, da bactéria, do sopro, da argila, não me importa. Se viemos das chamas, do pó, das nuvens, não sei também.


Importa que o tempo, esse sim nos permitiu não aceitarmos os maridos, os pais, os chefes. O tempo nos permitiu passar batom sem sermos chamada de puta, delinearmos os olhos quando temos vontade, usarmos salto alto enquanto permitirem os joelhos. E o tempo também nos permitiu a recusa.


Mas não nos enganemos, afinal qual recusa é fácil? Qual mudança é simples? Qual mundo é perfeito?
Hoje, bem ou mal há escolhas, basta fortalecê-las e não deixar o tempo as engula novamente.

E eu, eu hoje removi as ramelas, passei delineador e no tom inexistente do meu batom pus tênis, uma calça comprida e fui trabalhar.  

sexta-feira, 4 de abril de 2014

#7 Dar ou não dar? Eis a questão


E aí? E aí que eu saí com que cara legal que conheci há algumas semanas. A gente foi tomar cerveja, como amigos, afinal, as mulheres não costumam dizer que vão sair com um cara já na intenção de pontuar.
Enfim, saímos, conversamos e, como manda o figurino, nos beijamos quando acabou o assunto.
Frio, seco, você pode pensar. Que nada, foi ótimo, rolou uma química sensacional e a gente continuou se beijando até que ficou tarde e ele foi me levar em casa.  Mas antes, no carro, pega daqui, segura ali, mexe lá, até que ele, dengoso, me peguntou ao pé do ouvido:
- Vamos para outro lugar? – Outro lugar é um termo ótimo. Um dos conhecidos eufemismos para motel. Por isso, numa secura quase insensível me afastei e disse:
- Pro motel, você quer dizer? – Com um sorriso sacana e uma voz suave que me percorreu a espinha ele me deu a resposta óbvia. Eu sorri maliciosa, estava louca de vontade, mas com uma mistura de safada e moça de família do século XIX respondi, afastando-me um pouco:
- Está tarde, me deixa em casa, por favor.
- Vamos, estou louco por você – ele completou me aproximando de seu corpo. Dei-lhe um beijo provocante e me afastei outra vez.
- Não vou – Fui seca. Ele me olhou indiguinado e ajeitou-se no banco para esconder o pinto duro. Como se perdesse a paciência me questionou:
- Mas, por quê? – A resposta foi a mais imediata que me veio, quase ridícula.
- Sabe o que é? Se eu der pra você hoje, você vai achar que eu sou uma vagabunda que dá pra todo mundo. – Ele me olhou assustado com a sinceridade, e fez que não com a cabeça.
- Eu, eu nunca pensaria isso.
- Que mentira… – interrompi-o sorrindo malandra e dando-lhe uma bitoquinha – basta eu der pra um cara na primeira noite pra ele achar que dei pro mundo inteiro. E você não me parece excessão à regra.
Ele ficou sem reação após a resposta, como seu eu tivesse adivinhado seus pensamentos e talvez por isso tenha logo ligado o carro.
- Bom, te deixo em casa então. – ficamos alguns segundos em silêncio até que completei.
- Não precisa ficar tímido, eu sei que você já me acha uma vagabunda de qualquer jeito. – Ele me beijou suavemente, beijou minha testa e disse, claro que não, sorrindo o menos amarelo que pôde.
Rimos um pouco disso no trajeto até minha casa, mudamos de assunto, mas ao parar à minha porta ele mais uma vez insistiu. Mas eu? Eu fui firme, casta e não dei! Não mesmo!
E que bobagem, porque nos falamos depois e virei uma espécie de desafio pra ele. Saímos algumas vezes e quando encerrei meu voto de castidade, em uma semana transamos inúmeras vezes e fomos às nuvens. Talvez por isso, depois daquela semana ele não tenha me ligado mais, afinal, moça de família costuma não transar bem.

sexta-feira, 28 de março de 2014

#6 Te invejo em desprezo

Veja só como é, justo eu, tão centrada, passo horas de frente ao teu perfil. Não que seja inveja - talvez seja - mas olho todas as suas fotos em todas as redes sociais.
Não, eu não preciso disso, mas há algo de sádico em te olhar e perceber que você tem alguns quilos a mais que eu, que seus pés de galinha se expandem enquanto os meus, perceba, mal aparecem.
Finjo que não, mas importo se você é mais bem sucedida que eu. Me importo se seu namorado te leva pra jantar no restaurante mais caro enquanto eu só como pizza e japonês da promoção.
E de repente, pulando de página em página, encontro aquele ex que me deixou, aquele pelo qual eu sofri. Ele está gordo - e rio - e careca - e debocho - e carente. Eu, veja só, continuo gostosa, sádica, impetuosa, comprometida. Mas de leve, de vez em quando, ainda assim, pulo pelas página da rede social. Invejo e desprezo você, ele, ela e quem mais eu puder.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

De Malu a Mulan

A cena mais linda de Mulan: quando corta o cabelo e vai para a guerra, salvando seu pai, o Imperador e China 


Li há tempos um texto que falava sobre o poder da mulher de cabelo curto. Acho que foi no Papo de Homem, mas não tenho certeza, só achei curioso entre as banalidades do Facebook e parei para ler. Achei incrível e pensei comigo: "Vou cortar o meu cabelo bem curto".

Afirmação essa que eu carrego há cerca de 5 anos. Sempre digo que vou cortar o meu cabelo bem curto, até cogito raspar. Mas sempre me falta a coragem para fazê-lo. É só cabelo, eu sei. Ele cresce (o meu bem rápido ainda por cima). Mas ainda não consegui cortar curto. Tal comportamento pode ser chamado de Síndrome de Malu Mader. Ao que consta, parece que Dona Malu tem problemas em cortar o cabelo. Assim como eu e grande parte da população.

Eu não quero viver uma vida presa ao meu cabelo. Soube hoje, por meio de um amigo, que o Graacc recebe doações de cabelo. A ação é para ajudar crianças com câncer infantil, muitas delas carecas por conta do tratamento. Não vou à Guerra enfrentar hunos no lugar do meu pai como a Mulan foi, mas cortarei as madeixas pra ajudar alguém.

Quem já perdeu alguém para o câncer sabe o quanto essa doença é maligna. Não somente o paciente, mas todos acabam adoecendo. Eu já perdi um amigo para o câncer. O vi careca, sem sobrancelhas, magro e amarelado. O que eu nunca vi foi ele reclamando de algo - mesmo com toda a dor que sentia.

Por isso, além de curar minha Síndrome, irei ajudar alguém. Quero que o meu cabelo - que tanto me irrita em ralos, pias e escovas - sirva para trazer um pouco de alegria a uma criança. Porque ninguém deveria sofrer com isso, tão pouco uma criança.

Para saber mais sobre o Graacc e suas ações, é só ir no site. Descobri também A Rapunzel Solidária, que tem a mesma proposta e ainda por cima, convênio com salões de cabeleireiros. Fica a dica Malu!

Nota: meu amigo Guilherme não morreu em vão. Seu pai, Wiliam Miguel criou um Instituto que ajuda pessoas com câncer também. O que prova que a luta dele permanece. Para saber mais, confira no Instituto Força Gui.

Confira o vídeo da Mulan Contemporânea:

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sabores #2


















Um gole de cerveja, de vinho, de Whisky, de coragem.
João, Alberto, Pedro, Paulo, Marcelo, quem mais? Quantos mais? Por quantas noites?
Um gole de tesão, uma pílula de antídoto, um trago de orgasmo. Quantos seriam precisos, quantos rostos precisaria reconhecer, quantas bocas, falos, fossas?
Pequeno não satisfaz, grande machuca, médio, forte, fraco, ameno amargo, doce.
Um gole de noite para tomar coragem de dia, um sono fatigado para justificar a preguiça, uma noite em claro para arrepender-se do incerto.


Maria, Marta, Ana, Clara, Silvia. Quantas mais? Quantos esconderijos mais? Quantos disfarces mais?

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Feliz aniversário Colin!


A sinceridade das crianças é realmente algo notável, certo? Sim, em filmes, seriados e vídeos do youtube de ate 3 minutos. Mas na prática, crianças e adolescentes podem ser cruéis. O caso aqui não e nenhum atentado motivado pelo bulliyng que vitimou dezenas em algum colégio secundário. Ao contrário: foi uma das maneiras mais doces e gentis que uma mãe arranjou para desejar um feliz aniversário ao filho.

Às vésperas de completar 11 anos, Colin respondeu aos pais que não queria festa de aniversário porque não tinha amigos para chamar. A mãe dele teve então a brilhante ideia de criar uma página no Facebook desejando votos ao filho. Tudo bem até ai.

O que Colin e sua mãe, Jennifer, não esperavam é que essa página renderia alguns amigos. Quase dois milhões deles, do mundo todo, enviando cartas, videos, votos de sucesso e presentes. Colin foi diagnosticado há um ano com transtorno de processamento sensorial, junto com um outro transtorno semelhante ao autismo. Isso também interfere no processo de interação com crianças da mesma idade.

Acredito que esse será um aniversário memorável para Colin e sua família. E pretendo deixar um recado para esse sensato garoto, que evidencia que o maior transtorno humano é a falta de humanidade. Feliz aniversário Colin!

Abaixo, vídeo da Alpha Xi Delta (Fraternidade da Universidade de Indiana) desejando um aniversário incrível para o guri:




 Via Hypeness.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Parem de colocar coisas estranhas em suas respectivas bundas

"Eu poderia casar com aquela bunda":  O Cheiro do Ralo, com Paula Braun e Selton Mello, direção de Heitor Dhalia





















Não, não tenho nada contra a prática sexual predileta da Sandy. O lance aqui é uma questão de saúde pública. A moda (nem um pouco nova) são as injeções ilegais de silicone industrial para aumentar os glúteos. Em uma matéria especial da Vice, pude constatar que essa febre pela perfeição (?!), idolatria ao self e esse enorme templo construído com Photoshop e botox chamado corpo podem ser fatais.

Se no Brasil a predileção masculina é a bunda (salve poetinha Carlos Drummond de Andrade por seus belos versos), nos EUA eram os seios que comandavam. Agora não mais. Desprovidas do pandeiro tipicamente brasileiro, americanas recorrem diariamente a métodos clandestinos para aumentar a poupança. E como um procedimento cirúrgico pode ultrapassar os 10 mil dólares, a alterativa é sempre o mercado clandestino.

Com injeções de silicone industrial, mulheres (e homens) recorrem todos os dias ao que pode ser uma injeção letal. Sem fiscalização ou regulamentação devida, sem segurança e, em alguns casos, sem qualquer conhecimento, falsos esteticistas injetam até concreto em clientes tão ávidos pela bunda perfeita.

O grande lance é: pode até ser que fique como desejado, mas concreto, cimento, óleo vegetal e silicone industrial não são de forma alguma materiais aceitos pelo organismo. E em aproximadamente uma década, o que antes era estética, torna-se um grave problema.

Tais substâncias percorrem a corrente sanguínea e podem levar à morte. Principalmente o silicone industrial, material de difícil remoção, mesmo com o cirurgião mais experiente. Além do custo, é claro: 10 vezes o valor da injeção clandestina. Por uma questão de estômago, preferi não postar nenhuma foto do estrago feito por conta do procedimento (a coisa é feia).

Abaixo, segue vídeo mostrando como alguns pacientes perceberam que a bunda abundante paga não era bunda, era cilada: