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terça-feira, 20 de maio de 2014

Tempo de Mulher


Com o tempo a gente se perde, esquece que chorar faz bem, que a vida se vive por um fio, que não adianta bater a todo o momento de frente com o mundo.
O tempo nos descasca, descama, desima, desarma, desmonta, desmancha.
Mas que tempo não cura, diga você?
Afinal, que te fez levantar da cama com essa cara de ontem e não lavar bem os olhos?


Que mal te fez guardar essa ramela ao redor das suas olheiras e infiar-se nesse uniforme pra ir estudar?
Com o tempo a gente se ajusta. Passa delineador, descobre o batom vermelho, descobre também que tem que trabalhar.


Descobre porque nasce já no mundo do trabalho, percebe que é só o trabalho quem nos trás independência.
Mas em tempo eu digo. Independência é felicidade? Não importa. Afinal, independência é escolha, é livre arbítrio, é a saborosa dor de escolher.


Se viemos da costela de adão, da macaca, da bactéria, do sopro, da argila, não me importa. Se viemos das chamas, do pó, das nuvens, não sei também.


Importa que o tempo, esse sim nos permitiu não aceitarmos os maridos, os pais, os chefes. O tempo nos permitiu passar batom sem sermos chamada de puta, delinearmos os olhos quando temos vontade, usarmos salto alto enquanto permitirem os joelhos. E o tempo também nos permitiu a recusa.


Mas não nos enganemos, afinal qual recusa é fácil? Qual mudança é simples? Qual mundo é perfeito?
Hoje, bem ou mal há escolhas, basta fortalecê-las e não deixar o tempo as engula novamente.

E eu, eu hoje removi as ramelas, passei delineador e no tom inexistente do meu batom pus tênis, uma calça comprida e fui trabalhar.  

sexta-feira, 28 de março de 2014

#6 Te invejo em desprezo

Veja só como é, justo eu, tão centrada, passo horas de frente ao teu perfil. Não que seja inveja - talvez seja - mas olho todas as suas fotos em todas as redes sociais.
Não, eu não preciso disso, mas há algo de sádico em te olhar e perceber que você tem alguns quilos a mais que eu, que seus pés de galinha se expandem enquanto os meus, perceba, mal aparecem.
Finjo que não, mas importo se você é mais bem sucedida que eu. Me importo se seu namorado te leva pra jantar no restaurante mais caro enquanto eu só como pizza e japonês da promoção.
E de repente, pulando de página em página, encontro aquele ex que me deixou, aquele pelo qual eu sofri. Ele está gordo - e rio - e careca - e debocho - e carente. Eu, veja só, continuo gostosa, sádica, impetuosa, comprometida. Mas de leve, de vez em quando, ainda assim, pulo pelas página da rede social. Invejo e desprezo você, ele, ela e quem mais eu puder.

sexta-feira, 21 de março de 2014

#5 Tou te esperando....



sentado, de pé, onde pudermos nos encontrar. Te espero sempre que o celular toca, que as mensagens vem e vão. Mas peço, contudo, que  não espere de mim o mesmo afeto, as mesmas expectativas. Te espero quando quero, te ligo quando posso, te torno amarga e amena. Apenas porque eu sou assim, um tolo desesperado a procura de alguém que me queira como eu não quero, e que me espere como te espero.

segunda-feira, 3 de março de 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Desamores #3

Hoje percebi que não estou apaixonado, que tua falta não me é buraco, que distante me sinto apenas carente, e por isso te procuro.

 Não há frustração maior do que olhar os teus belos olhos e perceber que meu sentimento é vazio, que teu corpo me preenche mas não me aquece, que tua voz me é rouca e dispersa.

  Mas ando, veja, tão desapaixonado que pulo daqui acolá procurando uma paixão que me cerque e me desarme.
 Por isso quando te olho, menina, quero pensar que amanhã teus olhos serão mais verdes que são hoje. Quando te encontro, guria, quero pensar que te amo, como sinto que me amas. 
Quero pensar que te quero, que te caso, que te vivo, que não te frustro.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sabores #2


















Um gole de cerveja, de vinho, de Whisky, de coragem.
João, Alberto, Pedro, Paulo, Marcelo, quem mais? Quantos mais? Por quantas noites?
Um gole de tesão, uma pílula de antídoto, um trago de orgasmo. Quantos seriam precisos, quantos rostos precisaria reconhecer, quantas bocas, falos, fossas?
Pequeno não satisfaz, grande machuca, médio, forte, fraco, ameno amargo, doce.
Um gole de noite para tomar coragem de dia, um sono fatigado para justificar a preguiça, uma noite em claro para arrepender-se do incerto.


Maria, Marta, Ana, Clara, Silvia. Quantas mais? Quantos esconderijos mais? Quantos disfarces mais?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

10 coisas que fazem de você um bunda no trânsito

1 - Não dar seta



E não venha com mimimis, pois não há motivo para não utilizá-la. Vem de fábrica e é fácil de acionar. Deve ser acionada inclusive - e especialmente - na troca de pistas, mesmo que você esteja costurando.


2- Andar como uma lesma na pista da esquerda. 





Afinal, para pessoas que querem apreciar a paisagem ou procurar o endereço, já inventaram a pista da direita. 



3- Colar na bunda quando o coleguinha da frente já deu sinal que vai dar passagem, mas antes vai ultrapassar o caminhão.


Custa esperar 10 segundos?


4- Buzinar na enchente





Hellooooow, o rio não vai baixar só porque você buzina!

5- Aliás, buzinar fora de situações de cagada do coleguinha é sempre deselegante e te torna mala.


6- Cortar,  de propósito,a galera toda que estava na fila.


 E não, ninguém se importa que você está com pressa. Isso te torna um pedaço de fezes.

7- Molhar o pedestre por esporte. 

Afinal, você não está no videogame, onde isso te dá pontos.

8 - Trafegar pelo acostamento. 


Em alta velocidade é pior ainda! Seu possível assassino!

9 -Para carros somente: Fechar o corredor das motos por esporte.

Já que o trânsito está todo parado, ninguém passara. -.-

10 - Para motos somente: Buzinar, espernear e arrancar retrovisores mesmo que não haja espaço no corredor


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Primeira Vez #1

Te vejo arqueada, perceba, e te observo como quem olha o olhar alheio. Te tenho vontade e te engulo, estática, enquanto desfrutas daquele martini seco.


Foi assim que te conquistei, te pondo mais bebida no copo e te tecendo, aquecendo pelos seios abaixo. E com esta mesma ternura, te traí, sem a menor compostura descabida.
Não doeu, nem sequer fez cócegas, foi o que senti quando a tinha, a outra, sob minhas mãos geladas e sedentas. Eu a peguei no colo, a arrastei na noite, e juntos fomos capazes daquilo quem em 5 anos nunca tivemos, eu e tu.


E te traí te amando, como nunca amei alguém. Mas o desejo, a carne, a vontade, nada disso pode esperar por mais tempo. Por isso, quando ela me consumiu com gosto, queria te tivesse ali tu. Quando ela me engoliu, me despiu, se abriu, queria que tivesse sido contigo, conosco.
Mas não foi, porque tu te viras e te dormes, porque me dizes que tens nojo, porque em ti dói e nela não.
E assim, deste jeito tolo e inconseqüente lhe ofereci um drinque, e ela tomou. Lhe apertei os seios, e ela topou, lhe cobri de beijos e ela gemeu.

Mas entenda, que queria vê-la assim, tu, arqueada em meus braços, minha. Mas não me deixas. E sob este corpo de carrasco, capanga nefasto, te escondo e te digo, que foi assim, a primeira vez dentre muitas das vezes que te traí.