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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Notas sobre filmes e sexo

A primeira vez normalmente não é tão boa quanto esperávamos.
A gente só melhora mesmo com a prática, mas teoria é sempre bom pra encorpar e inovar a experiência.
As sensações podem ser as mais distintas possíveis, de êxtase ao asco.
Mas, principalmente, feito com tesão e amor é muito mais gostoso.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

5 dúvidas sobre Fio Terra

Não adianta, Fio Terra é tabu, e 95% dos homens acredita que uma dedada no fiofó lhe torna gay.
Então, da maneira mais despretensiosa possível, vamos tentar dar cinco razões para você, menino do sexo masculino completamente heterossexual, para de pensar desta maneira. 






1 - Fio terra é massagem - "Fio terra ou massagem da próstata é o nome dado a uma prática sexual que consiste na introdução de um ou mais dedos, ou algum outro estimulador, no orifício anal durante o ato sexual". Wikipedia

2 - Você tem próstata, ou seja, pode ser que não goste porque acha que isso vai te "transformar" em gay, mas é como uma mulher dizer que não sente prazer no clitóris.

3 - A próstata é considerada por muitos como o correspondente do ponto G masculino

4 - Na antiga Grécia podia, culturalmente era até legal, inclusive em Esparta. E olha que os espartanos eram machos guerreiros

5 - E "peleamordedeus", se você tem medo de virar gay, certamente precisa rever se já não é e está apenas com medo de sair do armário.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

#7 Dar ou não dar? Eis a questão


E aí? E aí que eu saí com que cara legal que conheci há algumas semanas. A gente foi tomar cerveja, como amigos, afinal, as mulheres não costumam dizer que vão sair com um cara já na intenção de pontuar.
Enfim, saímos, conversamos e, como manda o figurino, nos beijamos quando acabou o assunto.
Frio, seco, você pode pensar. Que nada, foi ótimo, rolou uma química sensacional e a gente continuou se beijando até que ficou tarde e ele foi me levar em casa.  Mas antes, no carro, pega daqui, segura ali, mexe lá, até que ele, dengoso, me peguntou ao pé do ouvido:
- Vamos para outro lugar? – Outro lugar é um termo ótimo. Um dos conhecidos eufemismos para motel. Por isso, numa secura quase insensível me afastei e disse:
- Pro motel, você quer dizer? – Com um sorriso sacana e uma voz suave que me percorreu a espinha ele me deu a resposta óbvia. Eu sorri maliciosa, estava louca de vontade, mas com uma mistura de safada e moça de família do século XIX respondi, afastando-me um pouco:
- Está tarde, me deixa em casa, por favor.
- Vamos, estou louco por você – ele completou me aproximando de seu corpo. Dei-lhe um beijo provocante e me afastei outra vez.
- Não vou – Fui seca. Ele me olhou indiguinado e ajeitou-se no banco para esconder o pinto duro. Como se perdesse a paciência me questionou:
- Mas, por quê? – A resposta foi a mais imediata que me veio, quase ridícula.
- Sabe o que é? Se eu der pra você hoje, você vai achar que eu sou uma vagabunda que dá pra todo mundo. – Ele me olhou assustado com a sinceridade, e fez que não com a cabeça.
- Eu, eu nunca pensaria isso.
- Que mentira… – interrompi-o sorrindo malandra e dando-lhe uma bitoquinha – basta eu der pra um cara na primeira noite pra ele achar que dei pro mundo inteiro. E você não me parece excessão à regra.
Ele ficou sem reação após a resposta, como seu eu tivesse adivinhado seus pensamentos e talvez por isso tenha logo ligado o carro.
- Bom, te deixo em casa então. – ficamos alguns segundos em silêncio até que completei.
- Não precisa ficar tímido, eu sei que você já me acha uma vagabunda de qualquer jeito. – Ele me beijou suavemente, beijou minha testa e disse, claro que não, sorrindo o menos amarelo que pôde.
Rimos um pouco disso no trajeto até minha casa, mudamos de assunto, mas ao parar à minha porta ele mais uma vez insistiu. Mas eu? Eu fui firme, casta e não dei! Não mesmo!
E que bobagem, porque nos falamos depois e virei uma espécie de desafio pra ele. Saímos algumas vezes e quando encerrei meu voto de castidade, em uma semana transamos inúmeras vezes e fomos às nuvens. Talvez por isso, depois daquela semana ele não tenha me ligado mais, afinal, moça de família costuma não transar bem.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sabores #2


















Um gole de cerveja, de vinho, de Whisky, de coragem.
João, Alberto, Pedro, Paulo, Marcelo, quem mais? Quantos mais? Por quantas noites?
Um gole de tesão, uma pílula de antídoto, um trago de orgasmo. Quantos seriam precisos, quantos rostos precisaria reconhecer, quantas bocas, falos, fossas?
Pequeno não satisfaz, grande machuca, médio, forte, fraco, ameno amargo, doce.
Um gole de noite para tomar coragem de dia, um sono fatigado para justificar a preguiça, uma noite em claro para arrepender-se do incerto.


Maria, Marta, Ana, Clara, Silvia. Quantas mais? Quantos esconderijos mais? Quantos disfarces mais?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Primeira Vez #1

Te vejo arqueada, perceba, e te observo como quem olha o olhar alheio. Te tenho vontade e te engulo, estática, enquanto desfrutas daquele martini seco.


Foi assim que te conquistei, te pondo mais bebida no copo e te tecendo, aquecendo pelos seios abaixo. E com esta mesma ternura, te traí, sem a menor compostura descabida.
Não doeu, nem sequer fez cócegas, foi o que senti quando a tinha, a outra, sob minhas mãos geladas e sedentas. Eu a peguei no colo, a arrastei na noite, e juntos fomos capazes daquilo quem em 5 anos nunca tivemos, eu e tu.


E te traí te amando, como nunca amei alguém. Mas o desejo, a carne, a vontade, nada disso pode esperar por mais tempo. Por isso, quando ela me consumiu com gosto, queria te tivesse ali tu. Quando ela me engoliu, me despiu, se abriu, queria que tivesse sido contigo, conosco.
Mas não foi, porque tu te viras e te dormes, porque me dizes que tens nojo, porque em ti dói e nela não.
E assim, deste jeito tolo e inconseqüente lhe ofereci um drinque, e ela tomou. Lhe apertei os seios, e ela topou, lhe cobri de beijos e ela gemeu.

Mas entenda, que queria vê-la assim, tu, arqueada em meus braços, minha. Mas não me deixas. E sob este corpo de carrasco, capanga nefasto, te escondo e te digo, que foi assim, a primeira vez dentre muitas das vezes que te traí.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O amor é outra coisa



























"A vida é uma DST." Li essa frase no twitter de uma amiga certo dia, que a viu estampada na camiseta de um conhecido. Achei brilhante. Lembrei finalmente de onde a conhecia: "Natimorto", do Lourenço Mutarelli.

Perdida em uma dessas noites de insônia, na ânsia inútil de procurar um pé para entrelaçar os meus enquanto durmo, pensei: "Será também o amor uma DST?". E respondi minha própria dúvida com a confirmação. O amor é sim uma DST. Parto do princípio de que só começamos a amar de verdade uma pessoa a partir do momento que nos relacionamos sexualmente com ela.

O sexo gera o amor, não o contrário, como nos foi afirmado por séculos. Estejam à vontade para discordar e/ ou discorrer sobre, mas mantenho minha linha de raciocínio. O amor aqui tratado é aquele que difere aos laços familiares e de amizade, que fique claro. Amor de mãe, pai, avós, irmãos, tios etc é fundamentado em outros princípios que não competem à atração física mútua. Longe de mim (e bem longe por sinal) provocar polêmica com uma possível legitimação do incesto.

O amor rudimentar, aquele que une semelhantes da mesma espécie (não necessariamente de gêneros diferentes, pois faço questão de legitimar o amor homo afetivo) surge sim do ato da cópula. Embora muitos possam (e vão) argumentar que só se envolveram sexualmente em determinados relacionamentos porque amavam, refuto novamente e reafirmo que só amamos alguém após a troca de fluídos sexuais e ponto. Até lá, só achamos que é amor.

E não é difícil entender porque muitas pessoas pensam o contrário do que acabei de constatar. Além das crenças milenares, as áreas cerebrais e os hormônios que diferem o amor da paixão, fascínio, desejo, são similares. E isso não sou eu que estou afirmando, mas a ciência. Portanto, até que o sexo se consume, o que chamamos de amor é na verdade outra coisa. Afeição, similaridade, compatibilidade - chame do que quiser, menos de amor.

Porque é no sexo que conhecemos ao outro integralmente: o gosto, o cheiro, o tato, o som. Tudo isso completando e contemplando o nosso e o corpo alheio. O que não quer dizer que vamos amar cada um com o qual transamos. Fatores simples e novamente hormonais, curiosidade, vontade e muitas outras coisas vão nos motivar à cópula sem resultar na mística, porém química que é o amor.

Tudo isso é tão justificável que até as estatíscas apontam: por mais afinidade que um casal tenha, casamentos acabam todos os dias porque os tempos de "bom sexo" se foram, e o amor junto com eles. E provam o contrário: amantes que vivem às turras mas se aguentam, pois afirmam que "entre quatro paredes eles se resolvem".

Por todo o citado afirmo que amor, só depois do sexo e que é sim uma DST (para a qual espero que não achem a cura). Sexo sozinho é egoísta, é filho único mimado ou caçula que quer as coisas no seu tempo e do seu jeito. Que só usa, sem querer ou achar que também é usado. Aquele que faz "chantagem pós-coito", almejando dormir de conchinha mesmo em um calor cuiabano. Ou aquele que só deseja que o seu "item sexual" suma o quanto antes, ou se transforme numa pizza.

O amor (legítimo, pós ou até durante o sexo) não exige nada disso. Ele se rende ao prazer do outro corpo como fonte de seu próprio prazer. Sabe o que pode, o que quer e mais ainda: aonde quer. Não exige abraço ou conchinha quando acaba, mas também não repele. Entende quem cala, entende quem fala, entende quem dorme. E sorri exausto, mas feliz e seguro de que esses momentos bons tem uma fonte inesgotável, apesar de tudo que digam.

Tal como o apêndice é um órgão de fácil inflamação e remoção, o sexo (e o amor, por consequência) é o oposto - é um órgão que nos falta e buscamos incessantemente em outros corpos. Alguns transplantes ocorrem bem, outros resultam em rejeição. Mas sempre haverá gente na fila de espera esperando pelo órgão compatível.



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Texto publicado originalmente em Villon Submarine, em 14/03/2012.